Nem sempre é fácil abraçar uma postura de empreendedor, pois ela implica risco, esforço, coragem e talvez, tal como em tudo, alguma sorte. Mas seguramente que quem reunir na maior proporção os factores de sucesso essenciais chegará provavelmente mais longe e estará mais próximo do mesmo
Uma “carreira de sucesso” é um conceito relativo. O que é sucesso para uns poderá não o ser para outros. Atingir a gestão de topo poderá significar sucesso para alguns, ao passo que para outros ser um técnico reconhecido, satisfeito e realizado na sua função poderá ser o expoente máximo do sucesso. Tendo em conta esta relatividade, existem aspectos que serão determinantes, independentemente da concretização subjacente a esse sucesso. Em primeiro lugar, há que definir um Rumo. Esta definição poderá ir sendo ajustada ao longo do tempo e na prática não é mais do que elaborar o seu conceito de “carreira de sucesso”. Há que ter bem claro onde se pretende chegar (cargo, empresa, remuneração) mas também qual o nível de esforço que se está disponível para assumir (horas trabalhadas, tempo para família, o quanto se gosta do que se faz, ambiente de trabalho). Definido esse rumo, escusado será dizer que será necessário Trabalho. Não necessariamente “muito” trabalho, mas sim “bom” trabalho. Há que procurar sempre ser o melhor, e buscar a excelência, factores que criarão condições para o reconhecimento e para o surgimento de oportunidades. A aposta no desenvolvimento das competências pessoais, técnicas, de gestão e de liderança ajustadas a cada fase da evolução profissional será determinante. A focalização na superação (mero cumprimento poderá não ser suficiente) dos objectivos terá aqui igualmente um papel relevante. O “trabalhar bem” poderá, no entanto, não ser suficiente. Há que evidenciar Inteligência para identificar e aproveitar os “momentos da verdade”, que poderão ser apresentações, elaboração de documentos chave, simples reuniões ou mesmo contactos ocasionais. São estes momentos que muitas vezes fazem o click que potencia o bom desempenho de um período mais ou menos longo ou podem deitar a perder um esforço de meses ou anos. A Inteligência na gestão da carreira revela-se igualmente nas decisões de escolha de empresa e/ou funções, que deverão ser devidamente ponderadas, face ao impacto que poderão vir a ter no cumprimento dos desígnios traçados aquando da definição do rumo. Por último, é preciso ter Sorte. Estar no sítio certo, à hora certa, com as pessoas certas, poderá ser a chave final para o sucesso. No entanto, caso não se reúnam os outros requisitos, será seguramente um sucesso efémero. É verdade que, sem Sorte, pode-se de facto reunir todos estes ingredientes e não chegar a atingir o sucesso desejado. Mas seguramente que quem os reunir na maior proporção chegará provavelmente mais longe e estará mais próximo do sucesso. Empreendedores procuram-se!
Uma das capacidades mais admiradas em Peter Drucker era a sua capacidade de interpretar o presente e de perceber as suas implicações para o futuro. Apesar desta sua capacidade, uma das frases mais marcantes de Peter Drucker diz que “a melhor maneira de prever o futuro é sermos nós a criá-lo!”. Perante o clima de instabilidade e mudança permanente que vivemos, esta frase ganha uma preponderância ainda maior. Em muitas formas, o empreendedorismo é a expressão prática daquilo que Peter Drucker referia. Contudo, nem sempre é fácil abraçar uma postura de empreendedor, pois ela implica risco, esforço, coragem e talvez, tal como em tudo, alguma sorte. Um estudo realizado pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM) refere que existem dois tipos de empreendedorismo, aquele gerado pela “oportunidade” e aquele gerado pela “necessidade”. Muito possivelmente, este último caso é hoje o mais comum. Existem vários exemplos de profissionais que, por terem ficado sem projecto profissional, encararam a possibilidade de lançarem o seu próprio negócio como a única alternativa de se sentirem activos e realizados do ponto de vista profissional. Com maiores ou menores dificuldades, muitos destes empreendedores descobriram uma nova faceta das suas vidas profissionais, e em alguns casos, senão mesmo em muitos, uma faceta que se tem revelado extremamente recompensadora do ponto de vista pessoal. No estudo realizado pelo GEM, um dos empreendedores inquiridos afirmava, sobre a empresa que havia criado, que na sua organização não existia a figura de “Chefe”, existiam, isso sim, duzentos “empreendedores”. Esta afirmação reflecte muito daquilo que hoje em dia deve ser a postura de qualquer profissional e uma das competências mais valorizadas no mundo empresarial de hoje: precisamente o empreendedorismo. E este empreendedorismo deverá reflectir-se, não apenas na perspectiva de quem cria o seu negócio ou empresa, mas também na nossa postura de todos os dias como colaboradores de qualquer organização, independentemente do nosso nível hierárquico. Para as próprias empresas, a existência de uma cultura de empreendedorismo é desde logo uma maior garantia de sucesso no atingir dos seus objectivos. Por outro lado, ao desenvolverem esta competência, os próprios profissionais asseguram que, com cada vez maior probabilidade, poderão vir a fazer parte do grupo de empreendedores que surgem pela “oportunidade”, e não pela “necessidade”. Como também dizia Peter Drucker, “o Empreendedorismo não é uma ciência ou arte. É uma prática”.
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Valores, Ética e Responsabilidade