Nenhum director é capaz de liderar sem contar com o contributo de cada um dos seus colaboradores. Num mundo cada vez mais complexo e competitivo, a comunicação interna assume um papel indiscutível, reforçando o sentimento de participação de todos os membros da organização e contribuindo para criar uma cultura corporativa comum. O novo líder tem que saber informar, mas também tem que saber ouvir, sentir a equipa e desenvolver acções concretas que cultivem a sua união
POR ANA MARGARIDA XIMENES E ANA MACHADO*

A reputação corporativa como “transparência da organização”: foi este o desafio lançado na primeira sessão do Ciclo de Ética Empresarial, organizado pela Cátedra de Ética na Empresa e na Sociedade AESE /EDP. O tema deste Ciclo é a Reputação Corporativa e a conferência de Reyes Calderón chamava-se, em tom de provocação (a instigar o pensamento), “Reputação: ética ou estética?”

Não há dúvida de que a reputação como operação estética, para aparentar o que não se é, tem aderentes e peritos. Mas cada vez mais se torna difícil manter uma narrativa fictícia no mundo organizacional, como a segunda sessão deste Ciclo, a cargo de Alberto Andreu, deixou bastante claro. Em tempos de revolução digital, “as empresas de hoje vivem submetidas a um contínuo escrutínio público e as suas paredes já não são de vidro, pois são praticamente inexistentes”. Cada colaborador é um embaixador, e daqui decorre naturalmente o tema da última conferência deste Ciclo, que une comunicação interna e reputação.

De acordo com o último estudo sobre “Os valores e a comunicação na empresa familiar”, realizado pela ATREVIA, consultora de comunicação e de posicionamento corporativo, uma das ferramentas fundamentais para a sustentabilidade das empresas é a comunicação interna. Num mundo em constante mudança e cada vez mais complexo e competitivo, a comunicação interna assume um papel fundamental e indiscutível.

[quote_center]Os colaboradores são micropoderosos: vivem com paixão os valores da marca e são os seus verdadeiros embaixadores[/quote_center]

Uma boa estratégia de comunicação interna deve contemplar sempre a partilha, com a equipa, dos objectivos da organização, a forma como pretendemos alcançar as metas e o que se espera de cada colaborador. Estamos na era das pessoas. Nenhum director é capaz de liderar sem contar com o contributo de todos e de cada um dos seus colaboradores. Eles são a essência e o valor mais importante de uma organização. São micropoderosos: vivem com paixão os valores da marca e são os seus verdadeiros embaixadores. A comunicação reforça o sentimento de participação de todos os membros da organização e contribui para criar uma cultura corporativa comum. A comunicação interna fomenta o engagement, aumentando a motivação, orgulho e sentimento de pertença dos colaboradores. Mas tal como referia Dwight D. Eisenhower, “a motivação é a arte de fazer com que as pessoas façam o que queremos que façam, porque elas o querem fazer”.

Conhecer, partilhar e inspirar, cultivando o diálogo e incentivando a partilha de experiências, é crucial. Antes, o líder era quem evidenciava mais conhecimento na organização. Hoje, este tem que estar empenhado em saber como estão os objectivos da equipa e, consequentemente, da organização. Ou seja, 15% da liderança são compostos pelo “saber”, 85% são constituídos pelo “como”.

O novo líder deve, por isso, ter competências para enfrentar a mudança, o conflito, a negatividade, o desânimo e a desmotivação numa envolvente complexa, global e de mudança. Por esse motivo, tem que saber informar. E como comunicar é mais do que informar, também tem que saber ouvir, sentir a equipa, procurando que cada colaborador participe e, ainda saber fazer, desenvolvendo acções concretas que cultivem a sua união. Em todo este processo deve-se sempre assegurar uma comunicação contínua, transparente e autêntica, evitando a propagação de rumores que afectam e desprestigiam a organização.

A transparência e a clareza na difusão das ideias são, por isso, elementos indispensáveis para um bom clima organizacional.

Nota: Ana Margarida Ximenes é Membro do Conselho Assessor do Observatório da Comunicação Interna (OCI) e Presidente da ATREVIA Portugal. Ana Machado é Assistant Professor na área de Factor Humano na Organização e Ética da AESE Business School

Ana Margarida Ximenes, Presidente da Atrevia, e Ana Machado, investigadora da Cátedra de Ética na Empresa e na Sociedade AESE/EDP

1 COMENTÁRIO

  1. Com poucas palavras se diz muito. Muito impotante, muitas mudanças, muita participação e, sobretudo, uma nova maneira de fazer e divulgar o que é hoje ser “chefe” ou melhor leader e companheiro na vinda dde um novo mundo.

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