Num mundo cheio de desencantos, cheio de túmulos e de vazio, de disputas sanguinolentas e de ambições desmedidas por conquistas que, afinal, também a morte dissolve, descubramos a presença «d’Aquele que o nosso coração ama». Oiçamo-Lo chamar-nos pelo nosso nome, como outrora a Maria. Sintamos a liberdade que essa voz tão cheia de amor nos traz!
Por Pe. LOURENÇO LINO

«Correndo, Maria Madalena foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: “O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde O puseram.”» (Jo 20, 2). 

Queridos membros e amigos da ACEGE,

É curioso constatar como a manhã daquele Domingo da Ressurreição parecia começar com uma má notícia, acrescentando ao luto dos discípulos a perplexidade pelo misterioso desaparecimento do corpo de Jesus. Onde está Ele? Ao coração de Maria Madalena se podem atribuir aqueles versículos do Cântico dos Cânticos:

«No meu leito, toda a noite, procurei aquele que o meu coração ama;

procurei-o e não o encontrei.

Vou levantar-me e dar voltas pela cidade: pelas praças e pelas ruas,

procurarei aquele que o meu coração ama.

Procurei-o e não o encontrei.» (Ct 3, 1-2).

Mas naquele cenário de vazio manifesta-se, enfim, uma Presença cheia de amor: «Disse-lhe Jesus: “Maria!”» (Jo 20, 16).

Queridos amigos, também a nós Deus quer atrair a esta experiência de encontro. Não é o encontro com uma biografia, é o encontro com a própria Vida. Jesus Cristo não foi simplesmente um homem exemplar cuja memória conservamos e cujos ensinamentos procuramos praticar. Jesus é a Vida, o Vivente (cf. Ap 1, 18), e essa Vida quer transfigurar-nos completamente.

Num mundo cheio de desencantos, cheio de túmulos e de vazio, de disputas sanguinolentas e de ambições desmedidas por conquistas que, afinal, também a morte dissolve, descubramos a presença «d’Aquele que o nosso coração ama». Oiçamo-Lo chamar-nos pelo nosso nome, como outrora a Maria. Sintamos a liberdade que essa voz tão cheia de amor nos traz!

Quando recebem dela a notícia do túmulo vazio, também Pedro e João correm a esse lugar. João, o mais jovem dos Apóstolos, corre mais rápido e chega primeiro; com Pedro testemunha os panos deixados no chão pelo Ressuscitado. Então, «viu e acreditou» (Jo 20, 9).

Com a figura de João diante dos olhos, gostaria também de dirigir uma mensagem particular à ACEGE Next e a todos os jovens profissionais por ela representados. Com a memória do Next  Summit que realizámos em fevereiro último, evoco o mote, deixado pelo Papa Francisco, de sermos  «empreendedores de sonhos». O mais audaz e urgente dos sonhos a empreender é este mesmo: que a Ressurreição de Jesus ilumine todas as vidas, entre nos lugares mais escuros do nosso tempo, dissipe as trevas de tantos corações sem esperança, vencidos pelo medo, pelo pecado e pela morte.  Corramos rapidamente, como João, para encontrarmos na Ressurreição o centro da nossa fé e o núcleo da «Boa Notícia» que temos para anunciar. Como João, corramos e acreditemos.

Podemos estar certos: quanto mais cada um de nós, interveniente no universo das empresas e na diversidade dos círculos sociais, tiver na Presença do Ressuscitado o centro da sua vida e o horizonte maior de todas as suas aspirações, tanto mais este nosso mundo será iluminado e transformado pelo acontecimento da Páscoa.

Peço à nossa querida Mãe, a Virgem Maria – Aquela que sempre, e por excelência, acreditou (cf. Lc 1, 45) – que abençoe e fortaleça na fé na Ressurreição todos nós, seus filhos, para que dessa vida tomemos parte como Ela já toma em corpo e alma.

Votos de uma santa e feliz Páscoa. Cristo ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

Padre Lourenco Lino

Nascido em 1997, é vigário paroquial de Algés e Cruz quebrada- dafundo. Assistente Espiritual da ACEGE Next

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