A investigação mostra consistentemente que manter-se mentalmente empenhado através do emprego pode ajudar a prevenir o declínio cognitivo e a reduzir o risco de doenças como a demência. O estímulo intelectual proporcionado pelo trabalho, incluindo a resolução de problemas e a aprendizagem de novas competências, mantém o cérebro ativo e saudável, o que é crucial para manter a independência e a qualidade de vida à medida que envelhecemos. O mundo atravessa uma mudança demográfica sem precedentes, caracterizada pelo envelhecimento das populações a nível mundial, resultando do declínio das taxas de fertilidade, do aumento da esperança de vida e dos avanços nos cuidados de saúde. Embora haja muitos desafios, há também oportunidades de inovação e de adaptação
POR PEDRO COTRIM

No sentido demográfico do termo, o envelhecimento é o aumento da proporção de idosos numa população, relacionado com o facto de o número de grupos etários não aumentar ao mesmo ritmo ao longo das décadas. No caso de Portugal, o prolongamento das tendências demográficas recentes ao longo do período 2000-2050, conforme consta nos estudos da Organização das Nações Unidas (ONU) ou do Instituto Nacional de Estatística (INE), aumenta a proporção de pessoas com 65 ou mais anos de idade em pelo menos 80%, enquanto o número de pessoas em idade ativa, com idades compreendidas entre os 25 e os 65 anos, deverá permanecer mais ou menos estável. Não há imagem mais eloquente do envelhecimento demográfico do que este fosso crescente entre as curvas de crescimento destes dois grandes grupos etários.

Outros indicadores apontam no mesmo sentido: a evolução da relação de dependência (quantas pessoas em idade inativa para uma pessoa em idade ativa) ou a do contrário; quantas pessoas em idade ativa para uma pessoa em idade inativa. Existem diversas variações destes indicadores, dependendo das faixas etárias utilizadas para o cálculo, mas todos confirmam a extrema velocidade das mudanças que nos aguardam em termos de envelhecimento demográfico. É muito provável que progrida nos próximos cinquenta anos tanto quanto progrediu num século.

As diversas formas de envelhecimento demográfico de uma população são frequentemente confundidas. Há uma espécie de «envelhecimento de cima», induzido pelo prolongamento da vida: um nível adicional coroa a pirâmide etária, sendo uma das principais causas do aumento da população a nível global. Há também um «envelhecimento a partir de baixo», criado pela redução duradoura da fertilidade abaixo do limiar de substituição (sabe-se que o limiar é atualmente de 2,07 filhos por mulher): tem o efeito direto de alargar a base da pirâmide etária, inflacionando a proporção de grupos etários intermédios ou de idosos. Esta última forma de envelhecimento não deve ser confundida com uma terceira, relacionada com o aumento da idade dos baby boomers. Um episódio de fertilidade elevada que cessa após vinte ou trinta anos pode, no seu início, rejuvenescer a pirâmide etária, mas envelhece cinquenta anos mais tarde, mesmo que a fertilidade atinja o limiar de substituição.

Tem-se verificado uma tendência para trabalhar até idades mais avançadas, pondo em causa as noções tradicionais de reforma. Esta mudança reflete não só a necessidade económica, mas também o reconhecimento dos benefícios de manter uma mente ativa na velhice. A reforma, outrora vista principalmente como um período de relaxamento, está a ser cada vez mais reconsiderada devido a provas que sugerem as vantagens significativas da continuação do emprego para os indivíduos e para a sociedade.

O crescimento populacional está a abrandar em quase todo o mundo. O número de habitantes está mesmo a diminuir em 44% dos países, especialmente nos chamados países desenvolvidos. A isto acrescenta-se o envelhecimento, que está a reduzir a percentagem da população em idade ativa. Tudo contribui para uma menor participação no crescimento por parte do fator trabalho. O FMI observa que o investimento caiu 40% em comparação com o nível que se conhecia antes da crise financeira de 2007-2008. Como resultado, nestes países desenvolvidos, a taxa de investimento caiu 2,3 ​​pontos percentuais.

Um dos principais benefícios de trabalhar até uma idade mais avançada é a preservação das funções cognitivas. A investigação mostra consistentemente que o empenho mental ativo através do emprego pode ajudar a prevenir o declínio cognitivo e a reduzir o risco de doenças como a demência. O estímulo intelectual proporcionado pelo trabalho, incluindo a resolução de problemas e a aprendizagem de novas competências, mantém o cérebro ativo e saudável, o que é crucial para manter a independência e a qualidade de vida à medida que envelhecemos.

A permanência no mercado de trabalho promove as ligações sociais e a participação na comunidade. Os locais de trabalho oferecem oportunidades de interação social, colaboração e desenvolvimento de relações significativas, essenciais para o bem-estar emocional e a saúde mental. Para muitos adultos mais velhos, o local de trabalho funciona como uma fonte primária de apoio social, permitindo combater os sentimentos de isolamento frequentemente associados à reforma.

O prolongamento da vida ativa também beneficia a sociedade ao proporcionar uma maior reserva de trabalhadores experientes e qualificados, contribuindo para o crescimento económico e para a produtividade. Ademais, alivia a pressão sobre os sistemas de proteção social, adiando as prestações de reforma e aumentando as receitas fiscais.

No entanto, o envelhecimento da população coloca desafios económicos, incluindo a diminuição das taxas de participação da população ativa e as pressões sobre os sistemas de pensões e de saúde. As alterações nas estruturas familiares e as responsabilidades de prestação de cuidados agravam ainda mais estes desafios, exigindo abordagens multifacetadas para promover a inclusão social e as redes de apoio aos adultos mais velhos.

A Europa, em particular, está a registar um envelhecimento significativo da população devido a fatores como o declínio das taxas de fertilidade e o aumento da esperança de vida. Embora a imigração possa compensar alguns desafios demográficos, a adoção de políticas de imigração mais rigorosas e os crescentes sentimentos anti-imigração colocam complexidades adicionais.

A imigração continua a ser uma questão controversa na Europa, com implicações na dinâmica social, económica e política. As respostas políticas devem equilibrar as preocupações humanitárias com as realidades económicas e a sustentabilidade social a longo prazo.

Ademais, a migração induzida pelas alterações climáticas é um fenómeno complexo e em evolução, que exige abordagens multifacetadas para dar resposta às suas implicações humanitárias e de segurança.

O futuro da imigração na Europa é incerto, moldado por decisões políticas, atitudes sociais e forças externas. A resposta aos desafios e oportunidades associados à imigração exige uma abordagem equilibrada que dê evidentemente prioridade às preocupações humanitárias, às realidades económicas e à sustentabilidade social.

O envelhecimento da população mundial está intrinsecamente relacionado com o desenvolvimento social e económico, exigindo abordagens inovadoras para lidar com os seus desafios e aproveitar suas oportunidades. A permanência no mercado de trabalho em idades avançadas emerge como uma estratégia eficaz para preservar as funções cognitivas, promover a inclusão social e contribuir para o crescimento econômico. No entanto, o envelhecimento também apresenta desafios significativos, como a diminuição da força de trabalho e pressões nos sistemas de pensões e saúde. O futuro requer uma resposta equilibrada e abrangente, que leve em consideração não apenas as implicações económicas, mas também as dimensões humanitárias e sociais da questão. O envelhecimento é uma realidade global que exige cooperação e inovação para garantir uma sociedade sustentável e inclusiva para todas as gerações.

Imagem: © Rod Long/Unsplash.com

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