A Inteligência Artificial Generativa (IA Generativa) está a emergir rapidamente como uma força transformadora no panorama empresarial, remodelando a forma como as empresas operam e desafiando as noções tradicionais do trabalho humano. Mas não só. Desde a criação de arte e música até à elaboração de código e concepção de produtos, os sistemas de IA generativa estão a ultrapassar os limites da criatividade e da eficiência. Assim, qual o seu impacto na economia e em várias profissões, bem como as suas implicações para a inovação, produtividade, emprego e considerações éticas?
POR HELENA OLIVEIRA

Em primeiro lugar, e apesar do termo estar completamente popularizado, e em linguagem simples, o que é, na verdade, a IA generativa?

A IA generativa refere-se a um subconjunto da inteligência artificial que envolve máquinas que criam novos conteúdos, em vez de se limitarem a processar dados existentes ou a executar tarefas predefinidas. Ao contrário dos sistemas de IA tradicionais, que dependem de algoritmos baseados em regras e instruções explícitas, a IA generativa utiliza técnicas como a aprendizagem profunda e as redes neuronais para aprender padrões a partir de vastos conjuntos de dados e gerar resultados novos e originais de forma autónoma.

Uma das aplicações mais notáveis da IA generativa é no domínio da criação de conteúdos criativos. Quer se trate de gerar imagens realistas, compor música ou criar literatura, os algoritmos de IA generativa são cada vez mais capazes de produzir resultados que rivalizam com aqueles criados por humanos. Esta capacidade tem implicações significativas para sectores como o entretenimento, a publicidade e o design, onde a criatividade é altamente valorizada, apesar de não faltarem vozes críticas tanto no que respeita à substituição dos humanos neste tipo de trabalhos, como no próprio “acto criativo”.

Adicionalmente, nas empresas, os seus benefícios são variados, não fosse o temido problema da sua capacidade para substituir os trabalhadores de carne e osso em diversas tarefas. Ora vejamos alguns dos seus benefícios:

Automatização de tarefas repetitivas: A IA generativa destaca-se na automatização de tarefas repetitivas, libertando recursos humanos para empreendimentos mais complexos e estratégicos. Em sectores como a introdução de dados, a criação de conteúdos e o apoio ao cliente, a IA generativa pode aumentar significativamente a eficiência, tratando de forma rápida e precisa as responsabilidades de rotina.

Geração de conteúdos e marketing: A IA generativa demonstrou a sua proeza na criação de conteúdos, produzindo textos, imagens e até conteúdos de vídeo convincentes e contextualmente relevantes. As empresas podem tirar partido desta capacidade para campanhas de marketing, gestão de redes sociais e geração de conteúdos criativos, simplificando processos e assegurando uma presença consistente da sua marca.

Análise de dados e apoio à decisão: A IA generativa pode processar grandes quantidades de dados, descobrir padrões e fornecer informações úteis para a tomada de decisões estratégicas. Em áreas como as finanças, os cuidados de saúde e a logística, a capacidade da IA generativa para analisar conjuntos de dados complexos facilita um apoio à decisão mais rápido e mais informado, contribuindo, em última análise, para melhores resultados comerciais.

Serviço ao cliente melhorado: Os chatbots alimentados por IA generativa tornaram-se parte integrante do fornecimento de suporte imediato e personalizado ao cliente. Estes assistentes orientados por IA podem lidar com perguntas de rotina, resolver problemas e encaminhar questões complexas para operadores humanos. O resultado é uma maior satisfação do cliente e disponibilidade 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Impactos na economia e no mundo laboral

Espera-se que a adopção da IA generativa tenha um impacto significativo em várias indústrias e mercados de trabalho, incluindo a indústria transformadora, os cuidados de saúde, o retalho, os transportes e as finanças. Embora seja provável que conduza a um aumento da eficiência e da produtividade, também se espera que conduza à deslocação do emprego de um conjunto de trabalhadores.

Um relatório da McKinsey & Company concluiu que a IA poderia automatizar até 45% das tarefas actualmente desempenhadas pelos trabalhadores do comércio a retalho, da hotelaria e dos cuidados de saúde. Mas e embora tal possa levar à deslocação de postos de trabalho, o relatório também observou que o facto de a IA poder automatizar um trabalho não significa necessariamente que o fará, uma vez que os custos, os regulamentos e a aceitação social também podem ser factores limitantes.

Vários estudos e análises examinaram o impacto da IA generativa na economia, com estimativas que apontam para 15,7 biliões de dólares de contribuição económica até 2030. Os potenciais benefícios económicos da IA generativa incluem o aumento da produtividade, a redução de custos, a criação de novos empregos, a melhoria da tomada de decisões, a personalização e o aumento da segurança. No entanto, há também questões importantes sobre a distribuição desses benefícios (desigualdade) e o impacto potencial sobre os trabalhadores e a sociedade.

A integração da IA generativa em vários sectores económicos já está a produzir impactos profundos. Uma área notável é a da criação de conteúdos, onde as ferramentas de IA generativa estão a permitir que as empresas produzam conteúdos visuais e escritos de alta qualidade em escala e a custos reduzidos. Esta democratização da criação de conteúdos reduziu as barreiras à entrada de pequenas empresas e empresários, promovendo a inovação e a concorrência.

Além disso, a IA generativa está a aumentar a eficiência em vários sectores, automatizando tarefas repetitivas e simplificando os fluxos de trabalho. Na indústria transformadora, por exemplo, os algoritmos de design generativo podem optimizar os designs de produtos com base em critérios específicos, conduzindo a produtos mais leves, mais fortes e mais económicos. Do mesmo modo, nas finanças, os algoritmos de IA generativa estão a revolucionar a avaliação de riscos, a detecção de fraudes e a negociação algorítmica, conduzindo a previsões mais exactas e a decisões mais bem informadas.

Assim e pese embora os seus benefícios, é natural que a adopção generalizada da IA generativa continue a suscitar enormes preocupações quanto à deslocação de postos de trabalho e à desigualdade de rendimentos. À medida que os sistemas de IA se tornam cada vez mais competentes na execução de tarefas tradicionalmente realizadas por seres humanos, aumentam os riscos de perda de postos de trabalho, especialmente em sectores que dependem de trabalho rotineiro e repetitivo, como acima referido. A resposta a estes desafios exige medidas proactivas, como programas de reconversão profissional, para dotar os trabalhadores das competências necessárias para prosperar numa economia impulsionada pela IA.

A perspectiva de substituir os seres humanos suscita igualmente preocupações éticas e sociais, mas é igualmente fundamental reconhecer que o objectivo não deve ser substituir os trabalhadores humanos, mas sim aumentar as suas capacidades e criar sinergias entre o homem e a máquina. E o que devem fazer as empresas?

Deslocação de postos de trabalho: A adopção generalizada da IA generativa tem o potencial de deslocar certas funções de trabalho, particularmente aquelas centradas em tarefas rotineiras e repetitivas. As empresas devem considerar esta mudança de forma responsável, investindo em programas de formação e requalificação e para garantir que a força de trabalho permaneça adaptável às exigências em evolução.

Considerações éticas: A capacidade da IA generativa de criar conteúdo levanta questões éticas sobre desinformação, deepfakes e o uso responsável da tecnologia. As empresas que implementam a IA generativa devem dar prioridade às directrizes éticas e garantir a transparência nos seus sistemas de IA para manter a confiança dos consumidores e dos demais stakeholders.

Colaboração homem-máquina: A abordagem ideal envolve a promoção da colaboração entre humanos e a IA generativa. Enquanto a IA se ocupa das tarefas de rotina, os humanos podem concentrar-se na criatividade, no pensamento crítico e na resolução de problemas complexos – áreas em que a intuição humana e a inteligência emocional continuam a ser inigualáveis e insubstituíveis.

Impactos positivos nas profissões

Como anteriormente referido, a IA generativa está a remodelar a natureza do trabalho numa vasta gama de profissões, desde as áreas criativas às técnicas. Nas indústrias criativas, os artistas e os designers estão a utilizar ferramentas de IA generativa para aumentar a sua criatividade e explorar novas possibilidades artísticas. Por exemplo, os músicos podem utilizar melodias geradas por IA como inspiração para compor novas canções, enquanto os designers gráficos podem utilizar a IA para gerar rapidamente variações dos seus desenhos.

Em áreas técnicas como o desenvolvimento e a engenharia de software, a IA generativa está a acelerar o ritmo da inovação ao automatizar tarefas como a geração, optimização e testagem de código. Os programadores podem utilizar ferramentas alimentadas por IA para gerar fragmentos de código, depurar software e até prever defeitos de software antes de estes ocorrerem, o que conduz a ciclos de desenvolvimento mais rápidos e a produtos de maior qualidade.

Além disso, a IA generativa está a permitir que os profissionais resolvam problemas complexos de forma mais eficaz, aumentando as suas capacidades cognitivas. Em áreas como a medicina e a investigação científica, os algoritmos alimentados por IA estão a ajudar os investigadores a analisar vastos conjuntos de dados, a identificar padrões e a descobrir novos conhecimentos que seriam difíceis ou impossíveis de descobrir utilizando apenas os métodos tradicionais.

E no que diz respeito à ética?

À medida que a IA generativa se torna cada vez mais omnipresente na sociedade, é também natural que levante importantes considerações éticas relativamente a questões como a parcialidade/preconceito, a privacidade e a responsabilidade. Os algoritmos de IA são treinados a partir de grandes conjuntos de dados que podem conter preconceitos inerentes, levando a resultados tendenciosos e perpetuando as desigualdades sociais. Além disso, a geração de imagens e vídeos falsos altamente realistas suscita preocupações quanto à disseminação de desinformação e à erosão da confiança nos media.

Além disso, a utilização de IA generativa nos processos de tomada de decisão, como a contratação e o crédito, suscita preocupações quanto à transparência e à equidade. À medida que os sistemas de IA se tornam mais autónomos, torna-se crucial garantir que sejam responsáveis pelas suas acções e decisões, especialmente quando têm impactos significativos na vida e nos meios de subsistência das pessoas.

Nota: Este artigo foi escrito com uma pequena ajuda da IA generativa.

Fontes consultadas:

Economic potential of generative AI

(McKinsey)

PwC’s Global Artificial Intelligence Study

(PricewaterhouseCoopers)

 How generative AI could add trillions to the global economy

(World Economic Forum)

The Economic Potential of Generative AI: The Next Productivity Frontier

(Fundo Monetário Internacional)

How Generative AI Is Transforming Business And Society: The Good, The Bad, And Everything In Between

(Oliver Wyman Forum)

Imagem: ©Growtika/Unsplash.com

Editora Executiva

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